Entenda o que está acontecendo na Rússia: pode terminar em guerra?

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Entenda o que está acontecendo na Rússia: pode terminar em guerra?


(JBCNEWS – DF 20/04) – Um grupo de navios percorre as águas do estreito de Bósforo, que separa a Europa da Ásia, desde o último sábado (17). São dois navios de guerra russos e mais 15 embarcações menores que seguem a caminho do Mar Negro. Com o reforço militar por parte da Rússia, a tensão com países do Ocidente, como os Estados Unidos, e a vizinha Ucrânia, aumenta.

A Ucrânia e países do Ocidente pediram que a Rússia retire suas tropas da região. No entanto, o governo do presidente Vladimir Putin alegou que tem liberdade para movimentar seus militares em seus territórios e disse que essa era uma “questão interna”.

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Putin, no entanto, não escondeu que o governo russo também pode usar suas forças para proteger civis diante de ameaças no território controlado por “rebeldes separatistas”, como ele mesmo diz.

Em entrevista ao Yahoo! Notícias, o cientista político e pesquisador do Laboratório de Estudos da Ásia da Universidade de São Paulo (USP), Vicente Ferraro Jr., avalia que a movimentação dos russos pode ser uma tentativa de fazer a Ucrânia “mudar de ideia” sobre uma possível tentativa de retomada de poder das regiões.

“Possivelmente o principal objetivo da Rússia é dissuadir a Ucrânia de eventualmente tentar retomar o controle sobre as regiões separatistas do leste, mantendo o status quo do conflito. Em março, as tensões e troca de tiros foram retomadas na zona limítrofe entre o exército ucraniano e os separatistas”, diz.

Ferraro conta que ambos os lados acusam um ao outro pelas agressões. Ele explica que na maioria dos casos, essas regiões se mantêm independentes com o apoio direto ou indireto da Rússia, por isso são denominados “conflitos congelados”.

“Em 2008, o governo da Geórgia tentou retomar regiões separatistas e foi repelido pelo exército russo. A Rússia utiliza sua influência em tais conflitos como instrumento de barganha com os respectivos países”.

A Ucrânia fazia parte da União Soviética até a dissolução do bloco, em 1991. Desde então, a Rússia busca manter o país em sua área de influência. Nos últimos anos, a Rússia conferiu cidadania a muitos habitantes das regiões separatistas da Ucrânia – mais de 600 mil pessoas nas regiões controladas por rebeldes receberam a cidadania.

A Ucrânia acusa a Rússia de violações do cessar-fogo frequentes nas últimas semanas. Segundo autoridades ucranianas, cerca de 30 dos seus militares foram mortos neste ano no conflito, enquanto 50 morreram durante todo o ano anterior.

Pode terminar em guerra?
Na visão de Ferraro, não há possibilidade de uma guerra de grandes proporções. Isso porque, segundo ele, a Ucrânia dificilmente arriscaria tomar medidas que podem acarretar um conflito.

“Não acredito que haja possibilidade de uma guerra de grandes proporções. A Ucrânia dificilmente arriscaria tomar medidas contundentes sabendo que o exército russo poderia iniciar uma contra-reação para além das regiões separatistas”, conta.

Além disso, o cientista político ressalta que a Rússia vem sofrendo impactos econômicos com países do Ocidente e que, por este motivo, não arriscaria perder prestígio internacional

“Por sua vez, a Rússia vem sofrendo os impactos das sanções econômicas impostas pelo Ocidente e dificilmente arriscaria tomar medidas que viessem aprofundar o seu isolamento. É provável que o status quo do conflito se mantenha”.

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