‘Vendedor de fumaça’ e polêmico: quem é o suplente de Major Olímpio.

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‘Vendedor de fumaça’ e polêmico: quem é o suplente de Major Olímpio.

(JBCNEWS – NDF 19/03) – O discreto cargo eletivo de suplente ao Senado Federal se ajustou perfeitamente ao perfil do empresário paulista Alexandre Luiz Giordano, de 46 anos. Descrito como alguém “sem boa oratória nem afinidade com falas públicas”, sua atuação política se concentra nos bastidores de diretórios partidários e corredores de gabinetes.

“Fantasioso”, “galanteador quando quer negociar” e “vendedor de fumaça” são expressões ouvidas de ex-sócios e amigos que falaram à Agência Pública sobre o empresário. Entre os relatos, uma característica é quase unânime: o suplente do Major Olimpio (PSL-SP) gosta de ostentar riqueza. A exibição do luxo se dá por relógios da marca suíça Rolex, ternos da grife Camargo Alfaiataria e uísques caros. E pelo uso preferencial, em algumas ocasiões, de helicóptero como meio de transporte. Mas, apesar da exposição na mídia nos últimos tempos, seus negócios não são conhecidos pelo público.

Giordano entrou em evidência no noticiário nacional quando teve seu nome exposto pela imprensa paraguaia no final de julho. A repórter Mabel Rehnfeldt, do jornal ABC Colorrevelou que o empresário fez ao menos duas viagens ao Paraguai, em abril e em junho deste ano, para negociar às escuras a compra de energia excedente da usina hidrelétrica de Itaipu. Participantes da reunião disseram que ele falou em nome da família do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para beneficiar a Léros, uma empresa de energia até então tão pouco conhecida como o suplente do major.

Giordano esteve também no Palácio do Planalto em 27 de fevereiro, um dia após o retorno do presidente Jair Bolsonaro de uma agenda oficial em Foz do Iguaçu, cidade sede da hidrelétrica de Itaipu. A história se tornou ainda mais nebulosa com a revelação, feita no dia 13 deste mês pela Agência Sportlight, de que o próprio Major Olímpio esteve no Paraguai em 11 de abril passado, enquanto ocorria uma das reuniões mais importantes de Giordano no país. Questionado pela Pública sobre a coincidência, o senador acabou se confundindo com as datas. “Consta que ele esteve no Paraguai dia 9, eu não sabia que ele fez essa viagem, eu estive dia 11 e 12 de abril”, respondeu, por meio de um assessor, no WhatsApp. Desfeito o engano, Major Olimpio disse que, apesar de os dois terem estado no Paraguai no mesmo dia, “não sabia onde ele estava ou por onde andava” e que “não houve contato nenhum” entre eles. O senador informou também que foi ao país para participar do Encontro de Católicos com Responsabilidade Políticas ao serviço dos povos latino-americanos do Cone Sul e de uma agenda sobre segurança pública.

Se Giordano e Olímpio, de fato, não se encontraram no Paraguai, não foi por falta de proximidade, que vai além do fato de o primeiro ser suplente do major da Polícia Militar de São Paulo. Os dois se conheceram na zona norte da capital paulista e são amigos há pelo menos 10 anos, como disse Olímpio em longa entrevista à Pública, em Campinas, horas antes da publicação da Sportlight, comentada posteriormente por ele. O foco da entrevista era a relação do major, conhecido por defender o combate à corrupção – em nome da qual enfrentou seu próprio partido, o PSL, nos casos Flávio Bolsonaro e CPI da Lava Toga –, com seu inusitado suplente, um empresário que coleciona processos judiciais – de não pagamento de imóveis à invasão de terreno, passando por dívidas trabalhistas.

Major Olímpio disse que o escolheu para a suplência porque ele se colocou à disposição do partido para auxiliar na organização do diretório paulista – presidido por Eduardo Bolsonaro – na primeira grande disputa eleitoral da legenda. Ele transformou seu escritório — localizado no mesmo prédio onde funcionava o diretório estadual do PSL até julho deste ano – no comitê de campanha do major. É assim que o senador explica a transferência de R$ 6,6 mil reais por locação de imóveis para uma das empresas do suplente, a Enfermidade, que consta na prestação de contas da campanha.

“Eu moro e convivo na zona norte. E ali ele sempre gostou de política, era bastante ligado – anteriormente, com o próprio pessoal do PSDB, com o Bruno Covas, que é um cara amigo dele. Quando eu vim para o PSL, ele começou a me ajudar com a organização do partido. Não tem nenhuma ligação diferente disso”, diz Olimpio.

O senador declara não ter se importado com a instalação de uma subcomissão temporária no Senado para investigar um eventual favorecimento à Léros. “Eu achei ótimo, tudo o que tem que acontecer. Que se faça a apuração que tem que ser feita.” E nega que Giordano tenha se apresentado como senador ou que falava em nome da família Bolsonaro. “Dois absurdos, porque ele não tem contato nenhum. Nem com Bolsonaro nem com família Bolsonaro”, afirma o senador. Questionado pela reportagem, admite: “O Eduardo [Bolsonaro] ele conhece… Ele era vice-presidente do partido, junto comigo e com ele. E ocasionalmente [se encontravam] em um ou outro evento. Mas o Eduardo frequentava muito pouco ou quase nada a reunião da executiva do partido”, destaca.

Pública procurou o deputado federal para questionar o auxílio de Giordano ao partido e o grau de relacionamento entre eles, mas a assessoria de imprensa de Bolsonaro não respondeu até a publicação deste texto.

Carreira pública

Antes de ter o amigo como suplente, em setembro de 2017, Olimpio já o havia nomeado secretário parlamentar na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), quando era deputado federal pelo partido Solidariedade (2015-2018). Mas uma portaria no Diário Oficial da União desfez sua nomeação um mês depois da primeira publicação, que o colocou no cargo.

Segundo o senador, Giordano não chegou a exercer o cargo comissionado porque, pelo regulamento da Casa, teria que se desfazer de suas empresas. “Eu quis levá-lo já para trabalhar comigo, mas aí acabou não dando certo porque ele teria que fazer a transferência de empresa do nome dele para isso. Ele não poderia estar como funcionário ali e estar oficialmente com cargo executivo.”

O major descreve o amigo como um “empresário bem-sucedido”, mas afirma não conhecer exatamente seu ramo de atividade. “Eu sei que ele trabalha fazendo estruturas metálicas para poste, com lixo e esses ‘trecos’ todos. Mas não sou sócio dos negócios dele e ele não é sócio do meu mandato. Ele só vai ser senador se eu morrer ou renunciar; e eu não estou pretendendo nenhuma das duas coisas”, diz o senador.

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