Políticas de igualdade racial não devem avançar com presidência da Câmara alinhada a Bolsonaro

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Políticas de igualdade racial não devem avançar com presidência da Câmara alinhada a Bolsonaro

(JBCNEWS – DF) – Com a chegada de Arthur Lira (PP-AL) à Presidência da Câmara dos Deputados, a votação de pautas de igualdade racial e de redução das desigualdades raciais no país não devem avançar no legislativo. A avaliação é do sociólogo Wescrey Portes. “É a consolidação de uma base de parlamentares muito fiel ao governo federal, ao Bolsonaro”, afirma o especialista, complementando que o mesmo deve se estender no Senado, com o novo presidente Rodrigo Pacheco (DEM-MG), também apoiado pelo presidente da República.

Segundo Portes, a agenda de pautas das duas Casas pode passar por alterações de prioridades, isto é, pautas mais importantes para o governo federal devem passar na frente, a exemplo da redução de maioridade penal. O único senador negro, Paulo Paim (PT-RS) considera que a atuação de Pacheco frente à igualdade racial é mais ativa do que a de Lira.

“O senador Rodrigo Pacheco foi o único candidato a se reunir com a bancada, onde apresentamos uma pauta mínima de combate ao racismo, direitos humanos, política de emprego, renda, salário mínimo, combate a fome, pobreza, a miséria, meio ambiente, democracia, respeito a constituição, reforma tributária, reforma política entre outras”, comenta Paim.

Para a execução dos trabalho do legislativo, o senador petista diz que a distribuição e ocupação das cadeiras deveria ser diferente, embora isso dependa do voto popular. “Os espaços precisam ser melhor distribuídos, de forma igualitária, respeitando as diversidades partidárias, sociais e culturais”, pondera.

O retorno de discussões desse tipo afetam de forma significativa a população negra no país. A redução da maioridade penal implica no aumento da população carcerária que já é formada por mais de 60% de negros no país, lembra Wescrey Portes. “Uma agenda mais antidemocrática na sua totalidade”, resume o sociólogo sobre a perspectiva para os próximos capítulos do legislativo brasileiro.

Impeachment

A eleição no Congresso Nacional aconteceu em meio a um contexto que envolve mais de 60 pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) e pautas de interesse público urgentes para serem votadas, a exemplo da reativação do auxílio emergencial.

Para Portes, o pedido de impeachment, que foi registrado também pela Coalizão Negra por Direitos, não deve avançar. “Se já com o Maia havia uma dificuldade, ao que tudo indica, com a eleição de um aliado do Bolsonaro, não vai avançar nenhum pedido de impeachment”, avalia.

Já para Paim, a mesa diretora e os líderes do legislativo devem dar continuidade às reuniões semanais para tratar das urgências do país. “A velocidade das demandas do Brasil e do mundo não param. Eu sempre digo, que o importante não são os nomes, mas os compromissos com o social, as causas e as vidas”, conclui o senador.

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